"Eu o amava. Mas esse amor não era sempre, era apenas por certa hora, por certo momento, vivíamos um amor boderline, a traição consentida me atraia, o olhar cumplice excitava, mas o que eu queria, não era o que desejava. Eu era boderline.
Vivi um relacionamento de idas e vindas, procurava nos outros o que não achava nele, procurava nele o que os outros não tinham, cada volta tinha um prazo de validade determinado, essa traição, esse relacionamento io-io me machucava, mas a dor era nobre: sofrer por amor, quem não iria querer, o qual nobre a dor do amor é, ela vale por todas as dores, a dor do amor lhe torna vítima e não algoz e saber disso é incrível.
A promiscuidade para um boderline é uma sensação única, o sangue ferve, o pelo eriça, a mente voa, o prazer da hora, prazer... tesão mesmo, é algo incrível, você se sente bem, se sente desejado, amado, seduzido e sedutor. Foi difícil me descobrir boderline, aliás eu nem sabia o que era ser um boderline, até agora.
Eu o amava, isso é verdade, a mais pura verdade, mas também era verdade que a traição me eriçava, o cheiro de sexo, o sentido, os olhos, o sexo era a minha droga, que eu consumia de forma louca e desejava ardentemente.
Após cada escapada, para traída eu me sentia sujo, imundo, tomava banhos longos, para tirar da minha pele, do meu pelo o cheiro do mau, o cheiro do que aquilo representava, mas era por pouco tempo, logo depois... adivinha? Lá estava ele o desejo que me consumia, que me inundava, que me fazia me sentir melhor, o que eu queria? Corpos, braços, sussurros no pescoço e tudo o mais que eu merecia, era instantâneo, sim, eu sei, mas era o que eu queria, hoje vejo os meus erros, mas vejo muito mais que um simples erro, vejo um comportamento boderline."
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